2 de março de 2017

Sombria e Gélida HORDA NEVOA



Após o evento Necromantical Scream Festival em fevereiro/2017 em São Leopoldo, conversamos com o guerreiro Tyrant, da horda Nevoa, de onde surgiu a entrevista que segue abaixo. Confiram!!


OAT: Saudações guerreiros. Ficamos honrados que tenham nos concedido um tempo para esta entrevista.

Saudações! Eu que fico lisonjeado pelo interesse e oportunidade de responder questões pertinentes à Horda.

OAT: Conte-nos um pouco mais sobre a trajetória da banda do início até agora.

Como todas as bandas, nós tivemos altos e baixos durante nossa jornada. Alguns contratempos normais e até um acidente de trânsito envolvendo o baterista, porém, com paciência, contornamos as situações e pudemos novamente injetar toda nossa energia na concepção e gravação do material. 
Gravamos o primeiro álbum, Satanic Bloody Wars, em 2013 e o lançamos em 2014 por questões normais de mixagens, gravadora, etc. Nesse período, Noturnum (baterista) sofreu um acidente que o impossibilitou de tocar por meses. Consequentemente não ensaiamos e nem nos apresentamos. 
Eu, na época, criando novos riffs e letras para o segundo álbum da Horda, vi nesta situação o momento de realizar um conceito criativo musical que admiro, seria um álbum estilo one man band. 
Tratei de fazê-lo pondo em prática tudo que estava brotando da mente e das vontades. Investi em equipamentos e, de forma caseira, gravei e mixei todos os instrumentos para o que viria a ser o Black Southern Winds com previsão de lançamento para Abril de 2017. 
Com o retorno do baterista aos ensaios, conversamos e decidimos chamar um baixista para testes e ver como soaria junto a nós, ficamos satisfeitos com o resultado e então Morgoth assumiu o posto no inicio de 2015 até final de 2016. Situações pessoais o conduziram por outros caminhos e a Nevoa voltou a ser uma dupla. Seguimos assim atualmente.

OAT: Porque a banda se chama Nevoa? De onde saiu a ideia para este nome?

Lembro-me bem que na época das composições para o primeiro álbum, eu costumava finalizar alguns riffs em final de semana. Entrava no carro com o violão e seguia até alguns lugares em meio à natureza isolada de interferências urbanas, locais com água corrente ou ambientes obscuros. Quase sempre ia para o mesmo lugar, uma beira de rio no interior da cidade de Dois Irmãos. 
Certa vez, compondo os riffs finais para a faixa The Journey From The Shadows, estava no meu "refúgio musical" em um início de noite, era inverno, tudo silencioso e frio. Lentamente uma penumbra surgiu por cima das águas profundas. Quando olhei para o morro ao lado, visto de longe, percebi um acontecimento natural incrível: uma nevoa densa, mórbida e gelada deslizava por entre a mata e se unia ao rio, seguindo o fluxo das águas e chegando até mim, úmida e sombria, abraçando minha mente e alma com sua dança silenciosa. Parado por minutos e admirando o que acontecia, me deparei com algo que não havia pensado; usar o nome de um acontecimento natural como nome para Horda. Fez todo o sentido, pois minha ligação com a natureza sempre foi forte. Foi um momento marcante por diversos motivos, ambiente obscuro, frio e as composições fluindo naturalmente. Nessa noite eu adotei o nome Nevoa para a Horda.

OAT: Como foi o ano de 2016 para a banda?

Passamos por inúmeras dificuldades, problemas pessoais, financeiros, problemas para ensaiar, enfim, coisas que acontecem no meio underground, onde ninguém tem grana sobrando ou está cheio de regalias e facilidades ao ponto de falar que está tudo sempre bem. Tivemos altos e baixos, mas com total dedicação e força de vontade, conseguimos contornar situações que poderiam ter levado ao término da Horda.

OAT: Quais são os planos da Nevoa para o ano de 2017?

Nossos planos se focam em constantes ensaios para podermos apresentar as composições do segundo álbum da Horda, Black Southern Winds. Por tratar-se de um trabalho estilo one man band, Noturnum (baterista) e eu estamos em uma fase de compartilhamento de ideias, ajustes e evoluções. A previsão de lançamento do Black Southern Winds é Abril. 

OAT: Quando ouvimos a Nevoa, notamos bastante a semelhança com Satanic Warmaster. Seria errado dizer que os mesmos são suas inspirações?

De forma alguma, SWM serviu de grande influência para mim. A musicalidade deles me fascina, assim como a de outras bandas como Sargeist, Svartnar e Vargsang que mantém a atmosfera gélida nos riffs. 
A fusão do estilo antigo de tocar do Heavy Metal com a melancolia e notas invertidas dão o clima perfeito para o Black Metal. Repare, acredito que a bagagem teórica de um músico é importante sim, mas usá-la sem o real sentimento, jamais será Black Metal.

OAT: Quem foi o responsável pela arte de capa do álbum Satanic Bloody Wars? A banda gostou do resultado?

Marcelo Felipe Scheeren foi o responsável pela produção da arte da capa do primeiro álbum. Um trabalho bem elaborado que respeita a musicalidade e tema lírico presentes nas composições. Gostamos muito do resultado final e, sem dúvida, agradou aos olhos de muitos que sempre nos apoiaram. 

OAT: Como a banda se sente fazendo parte do underground na cena do metal extremo?

Somos do underground e sempre faremos parte dele. Fui forjado nesse meio desde meu primeiro contato com a música.

OAT: De onde vem a inspiração da banda para criar suas melodias e suas letras?

Costumo criar melodias de acordo com o momento, portanto não sou do tipo de guitarrista que força milhares de horas em cima do instrumento tentando chegar no riff ideal ou algo do tipo, componho algo quando sinto que preciso por para fora algum tipo de sentimento. Se eu gostei do que criei, então gravo a melodia. Assim vou montando partes gravadas, ajustando e moldando até chegar no resultado final. Quanto às letras, procuro abordar temas diversos, fatos do meu cotidiano e minha maneira de ver as coisas. O tema lírico condensa riffs e sentimentos.

OAT: O que a banda tem ouvido ultimamente?

A abrangência do que ouvimos é enorme dentro das vertentes do Metal, é claro. Porém estilos como Heavy Metal Melódico e derivados passam longe. Particularmente eu ouço do Rock antigo até o mais extremo do Metal, passando por períodos progressivos até a música clássica.
Acredito ser ponto de diálogo quando algumas pessoas citam inúmeras bandas de Metal extremo e dizem que somente a elas dedicam suas audições. Não se pode negar as próprias raízes. Black Sabbath, por exemplo, é uma banda que escuto quase que diariamente; acredito que todos deveriam conhecer a discografia completa dessa banda e a história de seu mentor, Tony Iommi, absolutamente um músico fantástico e inigualável.

OAT: O que a banda acha de todas as hipocrisias que as igrejas cristãs pregam?

Diferente de outras respostas gigantescas expondo algo que todos já sabem, nossa posição em relação ao cristianismo é de repúdio total, nossos ideais e propósitos com a banda mostram e ainda mostrarão muito sobre isso.

OAT: O álbum Black Southern Winds está em andamento, tem previsão de lançamento?

Sim, o álbum já está finalizado. Todas as gravações e mixagens estão concluídas por mim e a previsão de lançamento é abril deste ano.

OAT: Você já pensou em gravar um videoclipe? Se sim, qual é a ideia? 

Para falar a verdade já pensamos em gravar sim, porém não amadurecemos essa ideia ainda, seria algo em meio à mata noturna.

OAT: Aos que julgam a horda como NSBM, qual sua opinião em relação aos mesmos?

Julgamentos e pré-julgamentos sempre existirão dentro de nossa cena. Perceba, é fácil creditar a uma pessoa de pele branca e olhos claros, como eu, o rótulo “nazista”. 
O fácil e cômodo sempre foi o caminho mais curto para mentes preguiçosas, não acha? 
Certa vez escutei de uma pessoa que todos os alemães e seus descendentes são racistas e bla bla bla... Imagine essa pessoa caminhando na rua, no Vale do Sinos! Que convivência doentia com quase todos que o cercam. Mania de perseguição constante. Uma fantasia trágica.
Não temos nenhum envolvimento com nazismo. Nossos temas líricos não abordam nazismo. Aos que julgam a horda como NSBM, acreditamos que falta um pouco de observação ao som, letras e motivação da Horda.

OAT: A horda pretende se apresentar fora do país? Algum lugar específico?

Primeiramente queremos nos enraizar em nossas terras, posteriormente shows fora do estado, mas para isso temos muita estrada pela frente, estamos focando em apresentações dentro do Rio Grande do Sul.

OAT: Agradecemos a disponibilidade e deixamos este espaço aberto às considerações finais aos leitores e fãs da horda.

A Horda Nevoa agradece a Ocuultus Ars Tenebrae pela oportunidade de expormos nossas ideias, referências, projetos e fatos. Agradecemos a todos que nos acompanham desde o início nessa batalha sangrenta. Continuaremos nisso por nós, pelo underground e por todos vocês.



Confiram dois sons da Horda abaixo: