3 de março de 2017

Entrevista com a Horda AUSTRALES TENEBRIS



Entrevistamos a horda Australes Tenebris de Erechim logo após termos visto seu show destruidor na Embaixada do Rock, 04/02/2017. 

Confiram abaixo!!



OAT: Saudações! Vimos o show em São Leopoldo no Necromantical Scream e foi destruidor. Ficamos felizes que tenham cedido um pouco de seu tempo para esta entrevista.

AT: Nós que agradecemos por pessoas como vocês que mantêm o underground vivo e cedem
espaço para divulgar a arte de bandas como nós.

OAT: Como foi para a banda tocar em São Leopoldo na Embaixada do Rock? Pretendem voltar?

AT: Foi uma ótima experiência, devido ao fato de que de todos os lugares que já tocamos, a Embaixada do Rock, devido ao seu ambiente, concentra de forma mais massiva a aura negra e caótica da banda. E muito deve-se pelo fato de ser São Leopoldo uma realidade totalmente diferente da nossa, predominantemente interiorana. Realmente, a região metropolitana de Porto Alegre, para nós, é um local que exemplifica o caos urbano característico das grandes cidades e que influencia-nos durante o show, muito distante da nossa “religiosa” e “conservadora” cidade, Erechim. Por enquanto, o foco da banda está distante dos palcos, mas assim que possível, gostaríamos de nos apresentar novamente em São Leopoldo.

OAT: Como foi o ano de 2016 para a banda? E o que projetam para 2017?

AT: De alguma forma, 2016 para nós, foi um ano bastante perturbador, tanto para cada integrante quanto para a banda em si. Conseguimos, sobre tudo, gravar e lançar o nosso primeiro álbum, fizemos apenas dois shows, um no começo do ano e outro apenas no final , foi um ano que conseguimos alcançar alguns dos nossos objetivos. Agora em 2017, estamos compondo para nosso novo EP que será intitulado “Pagala”, um termo indiano que significa “loucura”, com apenas duas músicas. E claro, fazer mais shows.

OAT: Conte-nos um pouco mais sobre a trajetória da banda desde sua criação em 2013 até os dias atuais.

AT: A banda começou através de um duo com o intuito de extravasar a raiva e expor nossas concepções de mundo, influenciadas principalmente pela cena norueguesa da década de 90 durante a nossa adolescência. Com o passar do tempo, conhecendo novas bandas e adquirindo novos conhecimentos, passamos a amadurecer como seres humanos e músicos, e com a entrada de nosso baterista atual, o resultado deste amadurecimento é o álbum “Reflections of a Decadent Life”.

OAT: O som de vocês e seu estilo é semelhante ao da banda Mgła, dá pra se dizer que o Mgła é a influência principal da banda?

AT: Dá para se dizer, que foi a principal e quase a única influência, mas claro, hoje há muito além disso envolvido. Resolvemos resgatar o Rock Clássico e Psicodélico: Dire Straits e Pink Floyd como algumas de nossas influencias e passamos a expandir nossos horizontes musicais para a música clássica, tendo como base Chopin, Wagner, Tartini e Shostakovich, além de, dentro da música extrema, sermos apreciadores de bandas como Svartidauði, Deathspell Omega, Sinmara e Uada. Mas certamente Mgła ainda permanece como uma grande influência, musicalmente e visualmente.

OAT: Quais as principais temáticas abordadas nas letras da Austales Tenebris?

AT: “Todo otimista é um mal informado”. Pensamos que esta afirmação de Paulo Francis retrata muito bem a temática lírica da banda de forma geral. De maneira mais específica, as letras da banda retratam os embates da consciência do ser humano, pensamentos próprios acerca das entidades metafísicas, questões cotidianas e, aparentemente, imutáveis da natureza humana; tal como a morte, o Eterno Retorno, a razão de existir, o tempo, a sociedade e as variadas concepções e interpretações do Mal.

OAT: Como costuma ser o processo de criação das melodias da horda?

AT: O processo de criação é sempre muito natural, geralmente um riff é criado e consequentemente outro vai ser criado para a passagem de riffs, geralmente usamos algumas guitarras adicionais, mas isso é algo que é feito sempre depois, são alguns últimos detalhes que dão mais vida à música. Tudo que é criado, é gravado com metrônomo para depois servir de base em gravações oficiais.

OAT: Como vocês enxergam o cenário underground da região e ao redor do mundo?

AT: Começando pelo micro (Rio Grande do Sul), vemos que nossa cena regional é bastante limitada pela condição econômica dos indivíduos. Para nós, como banda e proletários, é extremamente complicado tocar em lugares distantes, devido ao custo envolvido, como também acreditamos que a venda de CD's e ingressos para os shows, seja também afetada pela condição de má remuneração geral dos latinos americanos, além de diversos outros fatores. Em segundo lugar, pensamos também que a cena regional não é mais ampla e consolidada, devido ao fato de que muitos “headbangers” não vêem o Metal Extremo como cultura, preferindo, muitas vezes, permanecer em casa escutando os álbuns virtualmente do que comparecer aos eventos e fortalecer o Underground. Talvez, isso não seja só um mal encontrado em nosso Underground, mas sim na sociedade como um todo, com a música se tornando cada vez mais comercial e desprovida de “alma”. Pensamos que mundialmente, principalmente em países primeiro mundistas, a cena underground está aparentemente mais consolidada, com bandas fazendo turnês enormes pelos mais variados países em grandes eventos voltados para o Metal Extremo. Mas apesar disso, gostamos muito da cena estabelecida aqui, que apesar de pequena, é composta por grandes bandas e festivais memoráveis, tal como o Necromantical Scream.

OAT: A Australes Tenebris possui alguma influência não-musical para suas obras?

AT: Nós possuímos um grande apreço por autores e artistas com uma visão mais fatalista e negativa da existência, tal como Fiódor Dostoiévski, Nietzsche, Bukowski e Sartre. Portanto suasobras e legado tornam-se aparentes nas letras e melodias.

OAT: Qual foi o show mais marcante para vocês? E quando será o próximo?

K: Com certeza o primeiro é bem marcante, foi em Março de 2014 na nossa cidade natal, ainda com uma formação diferente, mas o último que fizemos, foi algo que nos surpreendeu, tanto pelo desempenho da banda quanto tanto a repercussão. Ainda não há datas marcadas para shows, como dissemos anteriormente, o foco está um pouco distante dos palcos, mas em breve pretendemos voltar para eles.

OAT: Qual a razão da escolha do nome Australes Tenebris? O que este nome significa para a horda?

AT: Pelo fato de sermos Latino Americanos, os do “Sul”, e termos como língua mãe o Latim, o nome da banda foi escrito nesta última e significa “Trevas do Sul”.

OAT: O mais recente trabalho foi o “Reflections of a Decadent Life” de 2016. Há previsão de algum novo material em breve?

AT: Sim, como dissemos anteriormente, estamos na fase de composição de um EP intitulado "Pagala", será basicamente uma amostra o que virá nos futuros trabalhos da banda.

OAT: Qual a sua visão sobre quem mistura posicionamento político com o metal extremo?

AT: Acreditamos que o respeito e diálogo são importantes para qualquer relação humana, incluindo o Metal Extremo nisto. Não é porque a música é extrema, que as pessoas devem ser também, independentes de seus posicionamentos políticos. O Black Metal é arte, é intensidade e é vórtex das mais diversas emoções, portanto, respeitamos as bandas que politicamente têm suas posições, mas a Australes Tenebris, não as têm, não como banda pelo menos. Acreditamos que se a intolerância e fanatismo político são gritantes atualmente, independentemente das bandeiras levantadas, isso se dá porque a humanidade falhou cotidianamente na sua busca pela “paz”.

OAT: Agradecemos a participação e esperamos vê-los novamente em breve. Deixo este espaço para considerações finais para os leitores que nos acompanham.

AT: Nós que agradeçemos ao espaço cedido, nos veremos em breve! Agradeçemos à todos que nos apoiam de alguma forma, mas não só a nós, e sim a cena como um todo. Nosso álbum está na íntegra para quem quiser ouvir, para quem quiser adquirir o material físico, contate-nos.