31 de março de 2017

Entrevista com a Horda AMADUSCIAS


Após uma conversa com nossos camaradas da desgraça chamada Amaduscias, surgiu a entrevista que segue abaixo. 

Confiram!!



OAT: É uma honra para nós contar com sua participação e agradecemos o tempo disposto para esta entrevista.

Evandro: Para nós chega a ser uma surpresa quando se tem espaço e surgem novos e sérios zines para que possamos divulgar informações e curiosidades do Amaduscias. Anos atrás haviam muitos e bons zines impressos, hoje mesmo que seja online é muito gratificante fazer parte dos mesmos, ainda mais voltados ao extremo e obscuro metal, que é a linhagem que realmente nos agrada.   

OAT: Conte-nos um pouco de como foi o ano de 2016 para o Amaduscias.

Marcello Camargo: Começou de certa forma com incertezas e preocupações com a formação. Era esse sentimento quando entrei na banda, no mês de abril, depois de um show com algumas incorreções. Assim que integrei no Amaduscias peguei duas fogueiras, em menos de uma semana abrindo para o Rebaelliun e Krisiun, tendo pouco mais de um mês para tirar cerca de oito sons. Foram três ensaios antes destes shows e depois dos mesmos vimos que esta formação teria um grande futuro. Apostamos nisso e vieram mais dois shows no ano, em sete meses totalizamos quatro com esta line-up. Na minha opinião o resultado final de 2016 foi, certamente, satisfatório.

OAT: Quais são os planos do Amaduscias para 2017?

Marcello Camargo: Decidimos focar na gravação do primeiro álbum do Amaduscias, pelo menos no primeiro semestre. Uma gravação envolve muito trabalho e dedicação e como no nosso caso, cada membro mora em uma cidade diferente, precisamos organizar melhor nossas agendas para que tudo dê certo. De qualquer forma, após o lançamento do álbum, pretendemos voltar à estrada e mostrar nossa música onde quer que seja.

OAT: Como o Amaduscias se sente abrindo para bandas como Krisiun e Otargos?

Evandro: É nestes momentos que paramos para pensar que vale muito a pena a teimosia e dedicação em manter uma banda ativa durante tantos anos, anos estes de muita luta. É muito gratificante quando dividimos palcos com bandas que acima de tudo são referências para nós. Também vou citar outras grandes bandas que nos orgulhamos muito de ter tocado junto que foi caso de Mental Horror, Nephasth, Exterminate, Rebaelliun (foi um sonho realizado), também Oligarquia, Subtera, Mysteriis, Ocultan, Amen Corner, Pentacrostic...

OAT: A banda tem planos de gravar um primeiro videoclipe? Caso tenha, como imaginam esse trabalho?

Evandro: Temos sim. Após a gravação e lançamento do nosso full-album o próximo passo é gravação de um vídeo clip. Depois do lançamento do CD teremos ideia das músicas mais curtidas pelo público, o que vai facilitar na hora de escolher o som para o vídeo. Uma coisa é certa, vamos estudar algo bem feito, mesmo que necessite de um considerável investimento, só assim para se ter material de qualidade... 

OAT: Como é para o Amaduscias ter sempre ótimas releases elogiando seu trabalho e tendo seu nome na Revista Roadie Crew no ano de 2009 com o lançamento do single “Only One Nation”?

Evandro: Este tipo de acontecimento é sempre uma surpresa, porque na hora de compor, de lançar um trabalho, o fazemos da nossa forma, escrevemos sobre aquilo que nos dá sentido como pessoa, inicialmente para nós mesmos... É muito gratificante encontrar pessoas que se identificam com nosso som, letras e forma de trabalho. A resenha da Roadie Crew foi incrível, nos pegou de surpresa. Sempre que um trabalho mais underground vai para uma revista a nível nacional, que envolve outras vertentes de metal e rock deixa o cara meio apreensivo. Não é como um zine que é mais extremo e underground. O single “Only One Nation” levou a banda a outro patamar. Na época colhemos ótimos frutos, digamos que foi um divisor de águas, pois foi nesse trabalho que colocamos elementos novos, fazendo a mescla entre o Black Metal e o Death Metal. 

OAT: Qual conselho que a banda dá para quem está começando agora?

Evandro: Se tratando de metal extremo, muito trabalho, dedicação e pés no chão! Digo as bandas que surgirem nesta linha que mantenham acima de tudo postura e seriedade. Tem muitos cordeiros infiltrados na cena, assim como cristãos que uma hora estão em alguma igreja e outra voltam a fazer som. O Amaduscias não divide palco com tudo que é banda, não importa se vamos tocar pouco, mas estes shows quando acontecerem devem ser com bandas dignas, de respeito e do underground mesmo. Hoje em dia tem muita banda nova se prostituindo para tocar em tudo que é lugar, não importando aonde e nem com quem for.  

Marcello: Como o Evandro falou, a seriedade e honestidade são itens fundamentais para manter um trabalho de respeito. Além de amar a música que tu fazes. Outro ponto importante é fazer algo o mais profissional possível, mesmo que despenda tempo e dinheiro. Com as ferramentas que temos atualmente só produz lixo quem quiser. Humildade também é fundamental.

OAT: Há uma ou mais bandas que tenha inspirado o surgimento do Amaduscias?

Evandro: As influências e inspirações são muitas, mas quando surgiu a banda se resumia em   Emperor, Marduk, Krisiun, Sarcófago e Rebaelliun. 

OAT: A banda tem planos de lançar um álbum novo ainda este ano?

Evandro: Sim já está tudo certo com o selo, lançamento agendado para julho de 2017. Pelo selo DSS Music, que antes se chamava Cianeto Discos, que conta com grandes nomes do metal nacional. Será lançado no Brasil e outros países...

OAT: Podem nos contar um pouco sobre o motivo da escolha do nome Amaduscias e o que ele significa para vocês?

Evandro: Quando eu e o Rodrigo fundamos o Amaduscias escolhemos esse nome porque é forte e objetivo, deixando claro o lado anticristão a ser seguido, já que se trata de um demônio, é um nome voltado à música... como diz em nosso release: Amaduscias Grão-Duque do Inferno, “Padroeiro da Música pesada“. 

OAT: Quais são as principais inspirações para a composição das melodias do Amaduscias?

Evandro: Não tem uma fórmula especifica, sempre estou voltado à literatura e estudo de livros sobre temas como ocultismo, paganismo e relacionados a cultura aqui do RS, assim, acabo pegando a guitarra mais seguido e compondo riffs que dão origem ao início de músicas novas. Eu não sou um guitarrista que passa horas estudando o instrumento, apenas toco quando tenho inspiração, assim surge de forma natural as melodias e os riffs. Sempre que faço um som tento ser ao mesmo tempo rápido e pesado nas composições. O que é rápido é brutal e o que é pesado é denso. Esta é a ideia que tento passar quando componho os sons, mas sempre ligando as letras que sou eu que faço também. Hoje com o Marcello na banda, esta parte que evolve as letras ele também vai contribuir, pois tem conhecimento e pensamentos muito parecidos com os meus.

Marcello: Procuramos inspiração em assuntos e melodias que se conectem com a proposta do Amaduscias. Não nos restringimos a uma determinada veia ou vertente. É importante deixar o horizonte em aberto. 

OAT: Quais são as temáticas abordadas nas letras e quais as suas influências líricas?

Evandro: Sempre tentamos passar algo que ligue música, capas e letras. Quem acompanha a banda já sabe que muito do que escrevemos é sobre as revoluções e fatos históricos ligados às nossas origens. O tema do último single trata da forma usada em combate em revoluções aqui em nosso estado, a decapitação, ou então, a chamada degola na base da adaga, arma usada até hoje pelos mais tradicionalistas. A capa da compilação “War and Conflicts” retrata um conflito que nos baseamos nas Ruínas de São Miguel, lugar onde vários índios morreram, massacrados pela igreja católica. A capa retrata uma afronta ao que foi feito. Tentamos mostrar uma versão onde o povo pagão nativo venceu. Tudo o que envolve a banda é bem amplo. Para quem tem curiosidade ou quer saber mais sobre a temática e conceito da banda só entrar em contato, é um assunto bem amplo. 
Marcello: Como referi anteriormente, os conceitos são amplos, mas ultimamente temos nos baseado mais nos assuntos relacionados às batalhas e guerras acontecidas no Rio Grande do Sul, assim como tópicos concernentes aos nossos usos e costumes.

OAT: Deixo este espaço para considerações finais para os guerreiros que os acompanham e leitores do Occultus Ars Tenebrae. Esperamos revê-los em breve!

Evandro: Só temos a agradecer esta grande oportunidade cedida pelo zine Occultus Ars Tenebrae. É uma grande honra poder fazer parte do mesmo. Esperamos em breve ver os guerreiros ligados ao zine em algum show na região de Porto Alegre. Vida longa aos trabalhos do OAT. Valeu aí Maharany G. Moloch e demais envolvidos!!!

Marcello: Muito obrigado pelo espaço Maharany. É sempre uma honra podermos falar através de um canal dedicado às artes extremas e feito por quem as respeita e entende. Obrigado também a todos que nos acompanham. Em breve teremos novidades, fiquem atentos. Vida longa ao Metal Extremo da Morte.